Manuella narrando:
"Eu estou correndo, algo me persegue, mas estou apavorada demais para olhar pra trás e ver o que me apavora tanto. Não vejo ninguém por perto para pedir socorro, a única escapatória que eu vejo é correr, eles se aproximam de mim, posso sentir seus passos não muito longe de mim e sua respiração ofegante enquanto tentam me alcançar. Continuo correndo, não vejo chão mais a frente, o grito para em minha garganta, não consigo gritar, o pavor toma conta de mim e me cala. O espaço sem chão está se aproximando, eu não posso parar, não posso deixar eles me pegarem.Minha mente identifica que aquilo é um penhasco, não irei sobreviver. Continuo correndo até não sentir mais o chão sob meus pés, estou caindo...Posso sentir o vento em meus cabelos, e o infinito me puxando, me puxando pro fim do penhasco...pra morte...Meu corpo começa a se debater tentando agarrar algo que possa ser minha esperança, minha segunda chance para a vida. Alguém me chama, a voz é conhecida, viro-me para que essa pessoa me salve"
_Manuella acorde, você vai perder a aula- a voz soa quase como um berro em minha porta, seguida de batidas fortes
Eu acordo no susto e em um pulo me coloco de pé, estou suada, pareço não lembrar como vim parar aqui, minha roupa não está totalmente seca, eu olho para tudo em meu redor e finalmente me vem a lembrança da noite passada.
_Você vai perder o ultimo dia -Grita a voz irritada do outro lado da porta e quase a arranca com suas batidas impacientes
Não há tempo para fazer nada.Eu pego a minha toalha e rapidamente abro a porta do quarto com as coisas na mão para o meu banho.
_Até que fim, estou te gritando a um tempão - ela diz abrindo caminho para mim
Eu a ignoro e vou direto para o banheiro, lá eu tomo um banho rápido, prendo o cabelo em um rabo de cavalo e coloco o uniforme da escola.
Eu peguei a minha mochila e quando passei pela cozinha peguei uma maçã.
_To saindo - gritei para minha mãe e logo depois fechei a porta.
A minha escola ficava a pouco mais que 40min caminhando, eu não iria conseguir chegar a tempo, já estava atrasada 5min e a tolerancia é de 15min.
Eu me esforcei pra caminhar rápido e fui pensando em uma desculpa para conseguir entrar na aula. Não via ninguém indo pra escola.
_Quer uma carona manu? - ele para com a moto proxima a mim e me olha enquanto espera minha resposta
_Marcelo? - eu paro e fico olhando para ele surpresa
_Não, Jesus cristo - ele me entrega o capacete e sorri amigavelmente pra mim
Eu subo na moto e coloco o capacete sem falar nada.
_Se segura, vamos rápido porque eu percebi que você está atrasada - ele liga a moto
_Por favor - falo e coloco meus braços em volta da cintura dele
Fazia um certo tempo que eu não via Marcelo, a ultima vez que eu o vi foi no ano novo, nossa familia é bem proxima e passamos o ano novo juntos. Eu senti falta dele e fiquei surpresa em ve-lo por aqui, perdemos o contato por conta da mudança dele, ele se mudou com os pais para New York e desde então não nos falamos. O fato dele estar de volta a cidade ainda me surpreendia e essa era uma história que eu iria querer saber depois, quando eu não tivesse atrasada pra uma prova que provavelmente não me sairia bem por conta de não ter estudado.
Marcelo nunca foi muito normal pra idade dele, lembro que desde os 14 anos seus musculos já começaram a se desenvolver, isso causava inveja nos meninos e falta de ar nas meninas, ele é apenas 3 anos mais velho do que eu, antes de ele ir embora estavamos bem proximos e ele dizia gostar de mim.
_Prontinho - ele diz parando a moto em frente a minha escola
_Muito obrigada, - saio da moto e olho em meu relógio -
_Vamos nos encontrar mais tarde né? - ele segura em minha mão
_hm, eu vou viajar hoje a noite. -falo olhando pra mão dele que ainda segura a minha