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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nem sempre o amor é tão fácil! (01)

Eu estava esperando por ele a pouco mais que meia hora, o tempo não era um dos melhores, o céu estava começando a se fechar e eu já podia sentir algumas gotas que viam do céu pingar em minha face! Eu não estava em uma fase boa, mas era reconfortante sentir as gotas da chuva em meu rosto, como se elas pudessem levar todas as lembranças ruins de minhas ultimas semanas. Eu sou o tipo de menina presa em um relacionamento forçado pela família, com poucos amigos e tentando se encaixar na sociedade machista que eu convivo todos os dias sem ser notada.
Ser notada não é o que eu quero, quero ser aceita, simplesmente aceita!
A chuva começa a ficar mais forte e o frio me alcança trazendo uma estranha sensação desconfortável a minha pele, me fez arrepiar! Olho em meu relógio de pulso e decido voltar para casa, logo após dar poucos passos eu sinto uma mão em meu ombro, eu me encolho temendo o toque desconhecido.
_Não se assuste amor, sou eu! – disse ele com a voz passiva
_Não Rodrigo, você sabe quanto tempo eu fiquei aqui te esperando? O que vai vim agora? Aquela mesma desculpa de sempre? – eu me virei tirando a mão dele de meu ombro e meu tom era ofensivo
_Me desculpe, o transito não me ajudou... – seu tom de voz continuava calmo, porém ele não olhasse em meus olhos
_Mentira, mais uma mentira. Três ônibus passaram enquanto eu fiquei aqui! O que os outros três tinham que o que você estava não tinha? Asas? – Eu virei as costas e comecei a me afastar dele
O fato dele não olhar em meus olhos não me preocupava, eu estava ouvindo essas mentiras a pouco mais que 7meses, mais um não ia fazer tanta diferença.
_Manuella, espera. Precisamos conversar – ele não me segurou dessa vez e sua voz tinha mudado de calmo para um tanto desesperado
_Não temos muito que conversar, eu não vou continuar mentindo pra você – eu me virei, olhei em seus olhos e então comecei a falar usando pela primeira vez na noite a minha voz pacífica – minhas aulas estão terminando e quando acabarem eu vou fazer uma viajem, não dá mais para continuar com esse namoro forçado
_forçado? Como assim forçado Manuella? – ele disse surpreso, agora ele olhava pra mim a espera de uma resposta
_Como eu ia dizendo... Essa viajem vai ser pra eu pensar no que eu vou querer fazer da minha vida. Quando eu voltar iremos nos falar – eu apressei o meu passo e fui me afastando rapidamente dele
A chuva que agora estava forte me trazia certo medo, ela tornava tudo mais deserto. Senti-me sozinha, eu estava correndo na chuva e já fazia certo tempo que eu não escutava mais a voz do Rodrigo me gritando, eu não sabia se ele ficaria bem e eu estava preocupada com ele, eu nunca o vi com aquela expressão. Ele estava triste, não sei se ele gostava de mim, mas ele sentiu a perda!
Eu abri o portão ignorando qualquer pessoa que pudesse aparecer no meu caminho, eu preciso ficar só, entrei em meu quarto e fechando a porta atrás de mim.
Me joguei na cama como se aquilo pudesse me trazer paz, descanso... Eu me sentia culpada, não sabia se tinha feito o certo!
Por favor, que amanhã seja melhor que hoje!
Amanha seria um longo dia, seria meu ultimo dia de aula e eu ainda não tinha avisado aos meus amigos que iria viajar por isso não sabia como seria a reação deles. Não demorou muito pra eu adormecer!

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